[Cobertura colaborativa, com participaqção das comunicações da FUP, do Sindipetro SJC, do Sindipetro PR/SC e do Sindipetro BA]
Com a participação de dirigentes de diversos movimentos sociais e sindicais, a solenidade de abertura política do 20º Confup, realizada no final da tarde de segunda (20), reforçou a importância da unidade em torno daquela que é considerada pelas lideranças a principal tarefa da classe trabalhadora nos próximos meses: reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e garantir no Congresso Nacional parlamentares comprometidos com a defesa da soberania e da justiça social.
A cerimônia foi realizada no final da tarde, no CEPE Stella Maris, em Salvador, após a posse da nova diretoria da FUP, eleita neste primeiro dia do Confup. As delegações também aprovaram a tese política que guiará os debates durante o Congresso, que prossegue até sexta-feira, 24, com a participação de mais de 300 petroleiros e petroleiras das bases dos 14 sindicatos filiados.
Cibele Vieira, a nova coordenadora-geral da FUP, chamou atenção para a composição da mesa de abertura, formada por aliados históricos da categoria petroleira, tanto nas lutas sindicais, quanto na defesa da soberania nacional e energética. “A escolha de como a gente se insere nos debates políticos e sindicais permeia o processo da nossa luta e o fortalecimento da nossa unidade”, afirmou. Estavam presentes dirigentes da CUT, da CTB, da CNQ e de movimentos que são parceiros dos petroleiros e petroleiras contra as privatizações e em defesa do fortalecimento do Sistema Petrobrás, como o MST, o MAB, o MPA, a UNE, entre outros convidados.

Bahia, terra do pioneirismo
Anfitriã do 20º Confup, a coordenadora-geral do Sindipetro Bahia, Elizabete Sacramento, deu as boas-vindas às delegações e aos convidados, lembrando que nove anos atrás, a cidade de Salvador sediou outro Congresso da FUP, que teve como uma das principais resoluções a aprovação da cota mínima para mulheres na direção da entidade. Ela se referiu ao 17º Confup, realizado em 2017. “Estamos, portanto, em uma terra importante, onde nasce a história do petróleo e da Petrobrás e onde as mulheres abriram caminho para garantir e ampliar a ocupação de espaços políticos nas direções sindicais petroleiras”, destacou.

Sérgio Roberto, presidente do CEPE Stella Maris, destacou o pioneirismo de ser o primeiro Clube de Empregados da Petrobrás a sediar um Congresso Nacional da FUP e ressaltou a importância da ocupação do lugar como espaço de integração, acolhimento e fortalecimento da categoria.
Representando o governo da Bahia, Carlos Oliveira, Secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, saudou a presença dos congressistas em Salvador, destacando a “importância histórica da Federação Única dos Petroleiros, que há décadas contribui para o fortalecimento do setor energético, para a defesa da soberania nacional e para a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do setor”. Ele também lembrou o pioneirismo do estado na exploração e produção de petróleo.
Compromisso da FUP com a soberania e a democracia
Moisés Borges de Oliveira, da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), destacou em sua fala a importância da unificação dos trabalhadores do campo e da cidade em torno de pautas estratégicas, como a defesa da soberania, da reestatização, da educação e da transição energética. Ele reforçou a necessidade do fortalecimento dessa unidade no processo eleitoral, “para reelegermos o presidente Lula e avançarmos na construção da soberania nacional e de um projeto de país tão necessário para nós”.
A presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes), Bianca Borges dos Santos, destacou que a trajetória dos petroleiros e petroleiras é uma inspiração para a classe trabalhadora organizada e os movimentos populares. “Ao longo da história, foram tantos os momentos em que a UNE e a FUP foram aliadas. Foram aliadas no combate ao golpe de Estado, na luta pela legitimação dos royalties do pré-sal e do fundo social para a educação, e somos aliados hoje na campanha de vocês pela reestatização da BR Distribuidora, que consideramos fundamental para a proteção da soberania do nosso país”, afirmou.
Eliane Oliveira, da Direção Nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), também enfatizou a importância da organização sindical petroleira. “A FUP é no Brasil a federação que constrói juntos aos sindicatos este lugar de defesa da soberania do nosso país. Nós, enquanto trabalhadores que lutamos pela terra, estamos neste momento importante, na posse na FUP, e ao lado dos que lutam pelo nosso petróleo. Assim, nos unimos na defesa da soberania do Brasil”, afirmou. “Cabe a nós defender este governo para que dê continuidade e defenda as riquezas do nosso país”, completou.

Anderson Amaro, da Direção Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Coordenação da Via Campesina Brasil, também reafirmou a parceria estratégica da classe camponesa e operária para seguirem juntas na construção da soberania energética e alimentar.
Unidade para reeleger Lula
Bergson Carlos da Silva, diretor do Sindipetro SE/AL, e Márcio André da Silva, coordenador-geral do Sindipetro LP, que estão acompanhando os debates do Confup, participaram da mesa de abertura de abertura, chamando atenção para a importância da unidade nas lutas da categoria e, sobreturdo, nas eleições deste ano. “Nas nossas bases, os trabalhadores aprovaram por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Lula”, informou o coordenador do Sindipetro LP.
Geralcino Teixeira, presidente da Confederação do Ramo Químico da CUT, a CNQ, foi outra liderança que enfatizou a importância da reeleição de Lula. “Nossa missão este ano é garantir a última eleição do nosso presidente e garantir a transição para a sociedade que a gente luta e tanto quer”, disse.
Juvândia Moreira, vice-presidenta da CUT, celebrou a eleição da primeira mulher a coordenar a FUP. “É muito importante estar aqui na posse de uma companheira. É importante para todo o movimento sindical nacional, não só para a CUT. Tive oportunidade de já dividir algumas lutas com a Cibele, desde o golpe que tirou a presidenta Dilma”, lembrou. Ela destacou os enfrentamentos que tiveram contra o desmonte do Sistema Petrobrás nos governos Temer e Bolsonaro. “Vivemos um período de destruição muito grande. A democracia estava sob ataque, desrespeitaram o voto popular. Nós temos que lembrar disso para entender o momento histórico em que estamos. Precisamos pensar como seguimos reconstruindo o Brasil, lutando contra as privatizações. Não dá para pensar um projeto futuro de Brasil que não seja pensar na Petrobrás”, afirmou.
Aldemir Caetano, da Direção da CTB Amazonas, chamou atenção para o risco que a queda de governos progressistas da América Latina trouxe para a estabilidade democrática do continente. Ao comentar a intervenção do governo estadunidense na região, ele ressaltou que “todo império quando está em ruína aumenta o nível de violência para ter uma sobrevida”. Caetano reforçou a importância das eleições brasileiras para evitar a volta da extrema direita. “Nosso desafio maior este ano é reeleger o presidente Lula, o que requer muita unidade, e, agregado a isso, é importante termos uma bancada parlamentar alinhada com o projeto de governo”, afirmou.
Rosângela Buzanelli, representante eleita dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, lembrou que a disputa pelo petróleo está no centro da geopolítica. “Não sequestraram o Maduro porque ele planta soja, nem invadiram o Irã porque ele planta trigo. É energia, é petróleo, e estão sendo, agora, as terras raras e os minerais críticos. E nós, no Brasil, temos o pré-sal e a Margem Equatorial para explorarmos, e temos a segunda maior reserva conhecida do planeta de terras raras. Então, nós estamos no olho do furacão. E o fascismo se apoia e aposta no caos para poder governar. E vão apostar pesado nas nossas eleições aqui. E não será fácil. Não vamos relaxar, não vamos achar que está fácil, que está seguro, porque até que se apurem as urnas, não está. A capacidade das big techs, e elas estão na mão dessas pessoas, é impressionante”, afirmou.
Momento cultural e de resistência

Após a solenidade de abertura e posse da nova diretoria da FUP, duas expressões marcantes da cultura popular da Bahia finalizaram o primeiro dia de atividades do 20º Confup: o Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil e símbolo da resistência do povo negro, e o Samba de Oyá, que levará ao congresso a tradição do samba de roda e dos ritmos afro-baianos.
“A escolha das atrações reafirma o nosso compromisso em apresentar aos participantes um pouco da história e da identidade cultural do estado que recebe o maior encontro da categoria petroleira. Ao unir política e cultura, o sindicato evidencia que a luta em defesa do Sistema Petrobrás, dos direitos da classe trabalhadora e da soberania nacional também se fortalece por meio da valorização das manifestações populares”, explicou Elizabete Sacramento, Coordenadora Geral do Sindipetro-BA.
Paineis de debates começam nesta terça
Nesta terça-feira, 21, começam os paineis de debate do 20º Confup, com análise das conjunturas nacional e internacional, pela manhã.Estarão presentes Valter Pomar (PT), Elias Jabbour (PCdoB) e Valerio Arcary (PSOL). Na parte da tarde, a cientista social Monica Bruckmann e o economista Lucas Valladares participam da mesa “Energia no contexto de guerra”, tema estratégico para os petroleiros e petroleiras.
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