O Sindicato dos Petroleiros do Ceará (Sindipetro-CE) denuncia uma situação grave envolvendo trabalhadores terceirizados que atuavam em unidades da Transpetro no estado. A empresa D&A Empreendimentos, responsável pelo contrato, desapareceu após deixar de pagar salários e benefícios, colocando dezenas de trabalhadores e suas famílias em situação de vulnerabilidade.

A empresa ultrapassou o quinto dia útil sem pagar os salários e, mesmo no sexto dia útil, não apresentou qualquer explicação ou previsão de regularização. Há também registros de atrasos no FGTS e problemas com benefícios básicos, como o plano de saúde. Alguns trabalhadores só descobriram que estavam sem cobertura quando precisaram usar o serviço.

Diante do não pagamento, os trabalhadores decidiram paralisar as atividades.

Mesmo assim, há denúncias de pressão para que retornem ao trabalho sem receber. Trabalhadores relatam ligações e mensagens da gerência local cobrando a retomada das atividades, mesmo sem salário, sem plano de saúde ativo e com direitos básicos suspensos.

A situação expõe um grave problema de responsabilidade social. Cobrar trabalho sem pagamento, sem assistência médica e sob pressão psicológica pode violar princípios de proteção ao trabalho e à saúde mental previstos nas normas de segurança e saúde do trabalho, como a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obriga empresas a prevenir riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais.

O caso também já provoca impactos sociais nas famílias. Há relatos de trabalhadores com contas de água e energia atrasadas, dificuldades para comprar alimentos e compromissos financeiros comprometidos.

Diante da emergência social, o Sindipetro Ceará realizou a doação de cestas básicas para ajudar as famílias afetadas enquanto a situação é tratada juridicamente.

O sindicato acionou a Superintendência Regional do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região para que sejam tomadas providências diante da quebra do contrato e do abandono dos trabalhadores.

Para a entidade, é inadmissível pressionar trabalhadores a atuar sem salário e sem segurança social. O Sindipetro Ceará afirma que seguirá acompanhando o caso, denunciando qualquer tentativa de assédio e cobrando que a Transpetro assuma a responsabilidade de proteger imediatamente os trabalhadores afetados.