POR SINDIPETRO CE/PI

Enquanto o mundo observa com preocupação a escalada de tensões no Oriente Médio e o impacto disso no preço do petróleo, no Ceará uma política pública concreta segue transformando a realidade de cidades de todos os tamanhos: o Programa Sinalize. A iniciativa do Governo do Estado tem levado pavimentação e sinalização viária para os 184 municípios cearenses, melhorando mobilidade urbana e segurança no trânsito.

Mas existe um fator pouco discutido fora dos bastidores da infraestrutura: programas como esse dependem diretamente do custo do asfalto. E, no caso do Ceará e de boa parte do Nordeste, esse insumo passa por uma refinaria estratégica localizada em Fortaleza: a Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste.

Operada pela Petrobras, a Lubnor tem papel central no abastecimento regional de asfalto. A refinaria processa petróleo pesado e produz derivados essenciais para obras de pavimentação, além de ser a única do país a fabricar lubrificantes naftênicos.

A existência dessa estrutura industrial no próprio estado não é apenas uma questão energética. É também uma questão de infraestrutura e desenvolvimento.

_O Sinalize e a transformação urbana_

Criado pelo Governo do Ceará, o Sinalize executa obras de pavimentação e sinalização em parceria com prefeituras municipais. A execução fica a cargo da Superintendência de Obras Públicas do Ceará e do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará.

Desde 2023, cerca de 1.400 quilômetros de intervenções viárias já foram concluídos. Em 2025, o governo estadual anunciou mais de R$ 230 milhões em novos investimentos, destinados à pavimentação de 3,51 milhões de metros quadrados de vias urbanas distribuídas entre os municípios.

Na prática, isso significa ruas pavimentadas em cidades pequenas, bairros inteiros urbanizados e melhorias na segurança do trânsito.

É o tipo de política pública que muda a vida das pessoas — mas que depende diretamente do custo de um insumo fundamental: o asfalto.

A ameaça da privatização

Pouca gente lembra, mas a Lubnor quase deixou de ser pública. Durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, a refinaria foi incluída no plano de venda de ativos da Petrobras e chegou a ter contrato assinado para transferência ao setor privado.

A operação acabou não sendo concluída e foi cancelada pela Petrobras em 2023.

Esse episódio levanta uma pergunta importante: o que aconteceria com o custo do asfalto no Nordeste se a refinaria estivesse hoje nas mãos de um monopólio privado?

A resposta passa pelo mercado internacional de petróleo, extremamente sensível a crises geopolíticas.

Petróleo caro, obras mais caras

Conflitos e tensões internacionais costumam provocar alta no preço do barril de petróleo, pressionando toda a cadeia de derivados. Em cenários de instabilidade global, países e regiões dependentes de importações ou de cadeias privadas de suprimento ficam mais vulneráveis a aumentos abruptos de custos.

No caso da infraestrutura pública, isso pode significar algo simples: obras mais caras ou obras que simplesmente deixam de acontecer.

Uma refinaria pública, inserida em uma estratégia nacional de abastecimento, tende a operar com maior preocupação com a estabilidade do mercado doméstico. Já um operador privado, naturalmente, busca maximizar margens e repassar integralmente as oscilações do mercado internacional.

Para estados e municípios com orçamentos limitados, essa diferença pode definir se um programa de pavimentação avança ou trava.

Uma refinaria estratégica para o Nordeste

A Lubnor não é apenas uma unidade industrial da Petrobras. Ela representa emprego, arrecadação e segurança energética regional.

Mais do que isso, garante que estados como o Ceará tenham acesso a derivados essenciais para obras de infraestrutura urbana.

Quando uma rua é pavimentada em um pequeno município do interior, dificilmente alguém pensa na cadeia industrial que tornou aquilo possível. Mas ela existe — e passa diretamente por decisões estratégicas sobre política energética.

Uma decisão que impacta o futuro

A permanência da Lubnor sob controle da Petrobras não foi apenas uma decisão administrativa. Foi uma escolha que tem impactos diretos sobre o desenvolvimento regional.

Programas como o Sinalize mostram que infraestrutura urbana depende não apenas de recursos públicos, mas também da capacidade do país de produzir seus próprios insumos estratégicos.

Num mundo cada vez mais instável, garantir produção local de derivados do petróleo pode significar algo muito concreto: continuar pavimentando ruas, ligando cidades e melhorando a vida das pessoas.

E isso, no fim das contas, é o verdadeiro sentido de uma política pública de infraestrutura.