Privatizações realizadas durante o governo Bolsonaro freiam impactos da queda nos preços do refino
[Da Comunicação da FUP]
A Petrobrás anunciou uma redução de 5,2% no preço de venda da gasolina às distribuidoras neste mês de janeiro, preço que passou a valer a partir desta terça-feira (27). Segundo a empresa, desde dezembro de 2022 a queda acumulada é de 26,9%. Com o último anúncio, o preço médio de venda da estatal às distribuidoras passa a ser, em média, de R$ 2,57 por litro. No caso do gás natural, a redução anunciada é de 7,8%. O preço do diesel vendido às distribuidoras não sofre alterações.
A notícia é motivo de celebração, já que o preço dos combustíveis é um dos principais fatores de aumento da inflação e impacta diretamente o bolso do povo brasileiro. Porém, a celebração não pode ser completa pelo profundo impacto da retirada da Petrobrás do setor de distribuição. O governo Bolsonaro privatizou a subsidiária em 2019, quando era a maior distribuidora do país, assim como também fez com a Liquigás em 2020. “Sem dúvidas é uma notícia importantíssima que deve ser comemorada. É o governo Lula cumprindo o que prometeu: abrasileirar o preço dos combustíveis e aliviar o bolso de quem mais precisa. Porém, sabemos que a herança nefasta do governo Bolsonaro, que entregou de bandeja empresas fundamentais como a BR distribuidora, dificulta a chegada desses preços ao consumidor”, afirma o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.
Nesse sentido, analisou o problema: “Hoje em dia, cai o preço de venda da Petrobrás às distribuidoras, porém, as distribuidoras aumentam a margem de lucro e não repassam a queda dos preços para o consumidor final que abastece no posto. Esse é um grave problema que precisamos enfrentar”. Para Bacelar, esse é um ano chave: “É o ano de reeleger Lula e continuar avançando até resolver definitivamente essa questão. Não podemos voltar a ser governados por pessoas como Bolsonaro e Paulo Guedes, que tentaram acabar com a Petrobrás, prejudicando quem mais precisa dela”.
O gargalo da distribuição
Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que acompanha mensalmente a conformação dos preços dos combustíveis no Brasil, os aumentos na margem de distribuição e revenda e nos biocombustíveis frearam a queda dos preços dos combustíveis em 2025. No último boletim, divulgado em janeiro e que analisa os preços de dezembro, o instituto afirma que apesar da redução dos preços por parte da Petrobrás no refino, considerando as médias mensais entre janeiro e dezembro do preço médio nacional de revenda, a gasolina apresentou uma leve alta de 0,16%, o diesel uma pequena queda, de aproximadamente 1,5%, e o GLP um aumento de cerca de 2,8%.
Para o Ineep, é importante destacar que “para além do petróleo, enquanto matéria-prima, e do próprio preço do derivado que é vendido às distribuidoras, outros custos compõem o preço final de revenda, como os tributos, as margens de distribuição e revenda e o preço dos biocombustíveis na mistura da gasolina e do diesel”. Mahatma Ramos, diretor técnico do instituto, afirma que “desde a volta do governo Lula em 2023, houve uma mudança na política de precificação dos derivados no Brasil, principalmente da gasolina e do diesel, que tem um impacto inflacionário alto no país. A Petrobrás tem sido bem sucedida nessa nova política na manutenção ou estabilização dos preços, evitando a volatilidade dos preços do mercado internacional aos consumidores brasileiros e isso é um ponto muito positivo, que deve ser comemorado”.
Porém, analisa o outro lado: “Infelizmente a Petrobrás hoje apresenta limites estruturais, dada a desintegração e a privatização de elos da cadeia do setor de óleo e gás durante os governos Bolsonaro e Temer, que impedem que hoje o governo atue em dois segmentos importantes para a definição desses preços, que são a distribuição e revenda dos combustíveis, que definem parcelas significativas do preço final aos consumidores brasileiros”.
Ramos também aponta um caminho para solucionar o problema: “É preciso garantir uma autonomia brasileira na produção de derivados, reduzindo as importações. Para isso é necessário que a Petrobrás amplie seus investimentos na expansão de seu parque industrial de refino, seja através da produção de insumos novos, de novas rotas tecnológicas de baixo carbono, seja na expansão de derivados de petróleo”. A FUP volta a reafirmar a necessidade de reestatizar as refinerías que foram privatizadas, tal é o caso da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) na Bahia e a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas.
A Petrobrás anunciou a volta à distribuição em agosto do ano passado e esse certamente será um desafio para um eventual quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
