MESA DA PLENAFUP DISCUTE DESAFIO DE MOBILIZAR MILHÕES DE PESSOAS NO BRASIL ATUAL

Mesa de debates nesta manhã na VII Plenária Nacional da FUP discutiu a “Mobilização para ampliar o diálogo com a sociedade”, traçou um panorama sobre o modo como as lutas dos trabalhadores, especialmente no Brasil, conseguiram envolver toda a população, gerando avanços e conquistas sociais estruturantes.

Os debates foram fomentados por exposições do historiador Paulo Fontes, do líder nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, do diretor executivo da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Julio Turra, e do diretor da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Divanilton Pereira.

Os trabalhadores na história

A própria relação do campo de pesquisas em história com os movimentos dos trabalhadores foi o aspecto levantado pelo historiador Paulo Fontes. Ele mostrou como, no Brasil, é recente o reconhecimento do papel dos movimentos sindicais e sociais pela historiografia. “A História enquanto disciplina demorou para dar legitimidade social aos trabalhadores”, afirmou, explicando que este campo de estudo foi antecedido por áreas como o direito e a sociologia nas pesquisas sobre os trabalhadores.

O historiador defendeu a ênfase no entendimento global do trabalho (pensando a ação dos trabalhadores internacionalmente), a articulação entre as noções de classe social, raça e gênero, e a necessidade de formulação de novas sínteses (uma vez que os estudos atuais estão, segundo Fontes, muito centrados em casos específicos).

Stédile: prioridade é eleger Lula

Para Stédile, o cenário atual é de crise do Capital internacional e do Estado Burguês, que perdeu a sua capacidade de responder às aspirações populares e está desacreditado, o que se mostra como oportunidade para os movimentos da classe trabalhadora na disputa ideológica com as elites.

Para o líder do MST, a conjuntura também é de crise civilizatória, quando estão ameaçados  os valores que, ao longo dos séculos, foram os elementos de enfrentamento da barbárie: as noções de solidariedade, de igualdade e de justiça. O neoliberalismo força uma sociedade que se opõe a estes valores, por meio do estímulo ao consumismo, ao egoísmo e ao individualismo.

Stédile defendeu a construção de um programa de reformas estruturantes a longo prazo, mas, a curto prazo, a tarefa prioritária dos trabalhadores brasileiros é eleger Lula para a Presidência da República. “Uma eleição sem Lula é fraude. Lula representa a classe trabalhadora. Se Lula não ganhar, o conflito só vai aumentar. Serão quatro anos de aprofundamento da crise”, afirma.

Ele também destacou como necessidades dos movimentos sociais o retorno aos trabalhos de base, o diálogo direto com a população, a construção dos meios próprios de comunicação, a formação política e a construção do projeto popular para o Brasil.

Panorama histórico

O diretor da CUT, Júlio Turra, traçou uma história da formação da organização da classe trabalhadora no Brasil, lembrando as origens do anarcosindicalismo no início do século XX, que tinha ênfase na ação direta, na ampla solidariedade (na ausência do Estado, promovia o socorro mútuo entre os trabalhadores), a criação de sindicatos e a realização da primeira greve brasileira, em julho de 1917.

Em uma segunda fase, o movimento dos trabalhadores foi muito marcado pelo sindicalismo estatizado, no período Vargas, com inspirações corporativas e até fascistas, que forjou uma estrutura sindical burocratizada, explica Turra.

O sindicalista da CUT também mostrou o papel das greves do ABC, no final dos anos 70 e 80 do século XX, que romperam com o assistencialismo e com parte da influência estatal na organização dos trabalhadores, levando à criação da própria CUT e do PT, em um momento em que também nascia o MST.

A Constituição de 1988, lembrou Turra, eliminou alguns aspectos do estatismo sindical (como a possibilidade de intervenção do Ministério do Trabalho nos sindicatos e o Estatuto Padrão) mas manteve outros (como a unicidade sindical e o imposto sindical).

Movimentos amplos

O diretor da CTB, Divanilton Pereira, defendeu a leitura de que os grandes momentos de avanços sociais no Brasil foram feitos quando houve o envolvimento de amplos setores, inclusive desorganizados, e não apenas dos sindicatos. Por isso, argumentou, procura enfatizar pontos que unificam os diferentes segmentos de partidos e movimentos sociais de esquerda, em busca de consensos estratégicos, como a necessidade imediata de “ganharmos pela quinta vez a eleição presidencial”.

Um dos exemplos lembrados pelo sindicalista para ilustrar a força de movimentos amplos é a Greve de Abril de 2017, que ultrapassou a organização dos sindicatos e obteve adesão em vários setores, como igrejas, escolas, entre outras instituições. O movimento, destacou, foi o responsável por evitar a Reforma da Previdência. “Defendemos a tática da amplitude, com diálogo, para envolver milhões de pessoas, organizadas ou não, porque todas as grandes mudanças brasileiras ocorreram assim. Estamos precisando de todos”, afirma.

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